Jogos Tradicionais em Angola: Património Cultural, Educação e Desporto em Risco



Jogos Tradicionais em Angola: Património Cultural, Educação e Desporto em Risco




Os jogos tradicionais, que durante décadas animaram ruas, quintais e pátios escolares em Angola, enfrentam actualmente um sério risco de desaparecimento. A falta de políticas públicas consistentes, aliada ao avanço das tecnologias digitais, ao sedentarismo e à redução dos espaços comunitários de lazer, tem afastado crianças e jovens dessas práticas culturais e educativas.


De acordo com matéria publicada pelo Jornal O País, os jogos tradicionais já não exercem a mesma força social e pedagógica de outros tempos, sendo progressivamente substituídos por hábitos sedentários que comprometem a saúde, a convivência social e a identidade cultural das novas gerações.



Jogos tradicionais e Educação Física: uma ferramenta pedagógica essencial



A Associação Nacional de Professores de Educação Física de Angola (ANPEFA) defende que os jogos tradicionais devem ser compreendidos como instrumentos pedagógicos fundamentais para o desenvolvimento integral da criança e do jovem, e não apenas como actividades recreativas.


Segundo o Presidente da ANPEFA, Professor Virgílio dos Santos Cardoso, estas práticas desempenham um papel decisivo na formação física, social e cultural dos alunos, contribuindo para:


  • O desenvolvimento das capacidades motoras e funcionais;
  • A socialização, cooperação e respeito mútuo;
  • A valorização da identidade cultural angolana;
  • A promoção de estilos de vida activos e saudáveis desde a infância.



O dirigente sublinha ainda que os jogos tradicionais representam um poderoso recurso pedagógico para os professores de Educação Física, especialmente no contexto escolar e comunitário.



Contributos culturais e sociais



Na mesma edição do Jornal O País, António Cassoma, presidente da Casa Pessoal, destaca que os jogos tradicionais ensinam valores humanos fundamentais, como respeito, partilha, convivência e solidariedade.


Segundo o responsável, estas práticas constituem um património cultural que deve ser preservado e transmitido às novas gerações, sobretudo num contexto marcado pelo crescimento do sedentarismo e pelo afastamento das crianças das actividades ao ar livre.



O papel da escola, do professor e da comunidade



Docentes universitários e profissionais da área da Educação Física reforçam que os jogos tradicionais contribuem para o desenvolvimento cognitivo, psicomotor e socioemocional, estimulando o raciocínio, a coordenação motora, a tomada de decisão e o trabalho em equipa.


A ANPEFA defende que a escola, os professores de Educação Física e as comunidades devem assumir um papel activo no resgate dessas práticas, através da sua integração:


  • Nos currículos escolares;
  • Nas actividades extracurriculares;
  • Em programas de massificação desportiva;
  • Em iniciativas comunitárias e culturais.




Falta de políticas públicas e desafios actuais



A matéria do Jornal O País alerta que a inexistência de políticas públicas específicas para a valorização dos jogos tradicionais coloca em risco a continuidade dessas práticas. A ANPEFA reforça a necessidade de:


  • Programas nacionais de preservação e promoção dos jogos tradicionais;
  • Formação contínua de professores e técnicos;
  • Parcerias entre os sectores da Educação, Juventude e Desporto;
  • Incentivo institucional à cultura do jogo tradicional.




Preservar a cultura, educar pelo movimento



Resgatar os jogos tradicionais é preservar a memória colectiva, educar pelo movimento e promover saúde. Para a ANPEFA, valorizar essas práticas é investir numa Educação Física mais contextualizada, culturalmente rica e socialmente relevante.


A associação reafirma o seu compromisso com a valorização do desporto escolar, da Educação Física e das práticas culturais que contribuem para a formação integral do cidadão angolano.




Fonte: Jornal O País

Data: 12 de Dezembro de 2025

Autor: Kiamose Pedro